Ruim para a indústria, bom para o consumidor? Brasil vislumbra enxurrada de produtos chineses

A guerra comercial que está sendo travada entre Estados Unidos e China pode ter impactos relevantes sobre a economia brasileira. Com a aplicação de tarifas de até 145% sobre produtos chineses exportados para os EUA, Pequim deve buscar novos mercados — e o Brasil pode acabar na linha de frente como destino alternativo para os bens manufaturados do gigante asiático.

Especialistas em comércio internacional ouvidos pela Gazeta do Povo avaliam que o Brasil pode se tornar um destino alternativo para esses produtos. Segundo José Augusto de Castro, presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o país pode ser inundado por produtos chineses.

Isso se deve, em parte, à própria estrutura comercial brasileira, que é mais voltada à importação de bens manufaturados e à exportação de commodities, liderada pelo agronegócio e pela indústria extrativa de minérios, por exemplo.

Arno Gleisner, diretor de Comércio Exterior da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços do Brasil (Cisbra), destaca que o agronegócio tende a sofrer menos com essa reconfiguração comercial por ser mais competitivo do que sua contraparte chinesa.

Por outro lado, setores como o têxtil, calçadista, de eletrônicos e de equipamentos ópticos estão entre os mais vulneráveis. Também correm risco fabricantes de brinquedos, móveis e autopeças, segundo o diretor estratégico da consultoria em comércio exterior Becomex, Renato Promenzio.

Em tese, os chineses teriam mais facilidade para encontrar fornecedores alternativos para o que compram dos Estados Unidos, mas enfrentariam dificuldades para encontrar mercados capazes de absorver o que vendem aos americanos.

Por: Roberta Ribeiro para o site a Gazeta do Povo em www.gazetadopovo.com.br

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